Caso de estudante em estado vegetativo após cirurgia na mandíbula completa 2 anos: 'Nada apaga nossa dor', diz pai

  • 02/04/2025
(Foto: Reprodução)
Larissa Carvalho, estudante de medicina, passou por um procedimento médico e ficou mais de um ano internada na Santa Casa de Juiz de Fora. O caso é investigado, e a família processa o hospital e médicos por danos morais. Larissa Moraes de Carvalho, foto de arquivo Arquivo Pessoal “O que era para ser uma simples cirurgia interrompeu os sonhos da minha família. Uma pessoa amorosa, amiga, que estava realizando o sonho de se tornar médica”. O desabafo vem de um pai angustiado, Ricardo Carvalho, que viu a vida da filha, Larissa, mudar drasticamente após uma cirurgia para corrigir a mandíbula e o maxilar, realizada por recomendação médica, sem qualquer motivação estética. O que deveria ser um procedimento seguro tornou-se um pesadelo. A estudante de medicina, prestes a completar 30 anos na época, entrou em estado vegetativo e permaneceu internada por mais de um ano na Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora 🔔 Receba no WhatsApp notícias da Zona da Mata e região Passados mais de dois anos desde 16 de março de 2023, sem respostas concretas sobre o caso, ela recebe atualmente tratamento domiciliar, após a família obter na Justiça o direito ao home care pelo plano de saúde. Com intensa reabilitação e sob orientação de profissionais, Larissa é acompanhada 24 horas por enfermeiras, realiza duas sessões diárias de fisioterapia e uma de fonoaudiologia, além de consultas semanais com um neurologista e mensais com nutricionista e ortopedista. "A vida da nossa família mudou completamente com o ocorrido e nos concentramos em buscar a melhora dela", disse o pai. Tratamento com células-tronco Em janeiro de 2025, Larissa iniciou um tratamento experimental com células-tronco em uma clínica particular em São Paulo. Ela já passou por um procedimento de retirada de células da medula óssea, que serão tratadas em laboratório e reimplantadas no organismo para regenerar o sistema nervoso. A expectativa é que o procedimento ocorra ainda neste mês. Com um custo de R$ 150 mil, a família contou com apoio de amigos e familiares para auxiliar no pagamento. “Sabemos que cada organismo reage de uma forma, mas os estudos mostram que esse tratamento pode estimular a regeneração do sistema nervoso. Para nós, qualquer avanço, por menor que seja, representa uma conquista gigante”, contou Ricardo ao g1. Família fez denúncia no Ministério Público Em setembro de 2023, a família de Larissa Carvalho buscou o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para denunciar o caso. Na época, o promotor Jorge Tobias de Souza determinou a abertura de uma investigação pela Polícia Civil. “O caso foi encaminhado ao MP, que analisou os elementos apresentados pela defesa e, diante de indícios de condutas puníveis, instaurou o inquérito e repassou a apuração para a Polícia Civil”, explicou o advogado da família de Larissa, Fábio Timponi. Em nota, a Polícia Civil informou que o inquérito ainda corre na 1ª Delegacia de Juiz de Fora. O delegado responsável, Luciano Vidal, aguarda um laudo sobre possível erro médico, baseado em toda a documentação fornecida pelo Hospital Santa Casa de Misericórdia. O g1 questionou quais crimes estão sendo investigados, mas o órgão afirmou que outros detalhes não serão divulgados até a conclusão da investigação. RELEMBRE: Estudante de medicina fica em estado vegetativo após cirurgia para corrigir a mandíbula e o maxilar Cirurgia mal detalhada e assistência inadequada: veja possíveis falhas em procedimento que deixou estudante de medicina em estado vegetativo, segundo pericia preliminar Família de estudante que ficou em estado vegetativo após cirurgia busca na Justiça tratamento de neuromodulação Cheia de amigos e apaixonada por esporte: Quem é a estudante de medicina que ficou em estado vegetativo após cirurgia para corrigir a mandíbula e o maxilar Processo na Justiça por danos morais Paralelamente ao inquérito, a família entrou com um processo por danos morais no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), no qual o Hospital Santa Casa de Misericórdia, a médica anestesista e o cirurgião-dentista bucomaxilofacial, que realizaram a cirurgia na estudante, são réus. Como o caso tramita em segredo de Justiça, os nomes dos profissionais de saúde não foram informados. Segundo o TJMG, as versões apresentadas pelo hospital e pelos profissionais estão sendo analisadas e provas coletadas. “Depois começa a fase de especificação de provas. A ação está tramitando regularmente, considerando a complexidade do caso e o acompanhamento do Ministério Público como fiscal da lei”, explicou o órgão em nota. Ao g1, o Hospital Santa Casa de Misericórdia informou que a apuração ocorre judicialmente e que a unidade não pode fornecer detalhes sobre o caso, pois ele corre em sigilo. A assessoria do hospital também lamentou a situação e expressou solidariedade à paciente e à família. Leia a nota completa no fim da matéria. Pedido de neuromodulação Larissa Carvalho com a família em casa em Juiz de Fora Arquivo Pessoal Após obter o direito ao atendimento em home care, a família move outra ação na Justiça para garantir um novo tipo de tratamento para a jovem: a neuromodulação por estimulação elétrica cerebral, mas o tratamento foi negado por duas vezes. Conforme os médicos da jovem, há recomendação para reabilitação por meio desse método de forma personalizada e intensiva, que combina estimulação magnética transcraniana e estimulação elétrica por corrente contínua, associadas à fisioterapia e fonoterapia intensivas. O que é neuromodulação? É um conjunto de técnicas que ajustam a atividade do sistema nervoso, aumentando ou reduzindo a ação dos neurotransmissores. “O Plano de Assistência à Saúde (PAS/JF) negou o pedido alegando que não estava no rol de tratamento", afirmou Ricardo, pai de Larissa. A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Juiz de Fora, responsável pelo gerenciamento do plano de saúde, e aguarda retorno. Sem alternativas, a família entrou na Justiça em setembro de 2024 para que o plano de saúde arque com os custos do tratamento. Atualmente, o processo está no TJMG e, depois de um resultado desfavorável em primeira instância, os advogados recorreram na tentativa de reverter a decisão. O custo total do tratamento intensivo por 12 meses é de R$ 406.560, quantia que a família não dispõe. “Não sabemos por quanto tempo ela precisará da neuromodulação, não temos recursos”, disse o pai. Relembre o caso de Larissa Quem é a estudante de medicina que ficou em estado vegetativo após cirurgia A paciente deu entrada na Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora em 16 de março de 2023. Ricardo conta que, após o procedimento, viu a filha na maca sendo levada pelas enfermeiras em direção ao quarto. “O olho dela estava virado, mas achei que era normal por causa da cirurgia. Fui andando na frente para abrir a porta do quarto, mas não pude entrar porque elas pediram que eu ficasse do lado de fora". Ele lembra que ligou para a esposa para avisar que Larissa já havia saído da cirurgia, quando percebeu uma movimentação estranha de outras pessoas. “Quando abri a porta [do quarto], vi uma pessoa fazendo massagem cardíaca na minha filha. Depois, um enfermeiro veio me tranquilizar, dizendo que ela estava bem e que os batimentos já tinham retornado”. Segundo a família, o prontuário médico indica que Larissa saiu da sala de Recuperação Pós-Anestésica (RPA) às 17h45 e foi levada para um quarto no 9º andar, chegando ao local por volta das 18h02, já em parada cardiorrespiratória. Nesse intervalo de 17 minutos, de acordo com os familiares, ninguém identificou que algo estava errado com a paciente. Após a parada cardiorrespiratória, Larissa passou um mês no CTI, onde desenvolveu pneumonia e infecção urinária. Depois, foi encaminhada para um quarto, onde permaneceu internada até março de 2024. Desde então, segue em tratamento domiciliar, em estado vegetativo. O que diz a Santa Casa? “A Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora é uma instituição filantrópica com mais de 170 anos de história, reconhecida pelo compromisso com a segurança e a qualidade no atendimento à saúde. Somos referência em assistência hospitalar para a macrorregião Sudeste de Minas Gerais, abrangendo cerca de 96 municípios, e nos destacamos nacionalmente em áreas como transplantes renais, conforme dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Em 2023, ano do ocorrido, realizamos 10.179 cirurgias, das quais 2.433 foram de grande porte, isto é, procedimentos de alta complexidade que exigem equipe altamente especializada e infraestrutura adequada. Todos os nossos processos são pautados por rigorosos protocolos de segurança do paciente, respaldados por certificações de excelência da Organização Nacional de Acreditação (ONA) e pela norma internacional ISO 9001. Lamentamos profundamente o ocorrido e expressamos nossa solidariedade à paciente e sua família, reafirmando nosso compromisso com a transparência e com a qualidade assistencial. A apuração dos fatos acontece judicialmente, em ação que corre sob sigilo e, em respeito ao processo legal, às partes envolvidas e à Justiça, o hospital não pode dar detalhes sobre o caso fora dos autos judiciais”. Larissa Carvalho durante fisioterapia na casa dela em Juiz de Fora, foto de arquivo Arquivo Pessoal 📲 Siga o g1 Zona da Mata: Instagram e Facebook VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

FONTE: https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2025/04/02/caso-de-estudante-em-estado-vegetativo-apos-cirurgia-na-mandibula-completa-2-anos-nada-apaga-nossa-dor-diz-pai.ghtml


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